sábado, 4 de agosto de 2018

Não desista dos seus


Lucas 8.40-42 / 49-56
40 Quando Jesus voltou, uma multidão o recebeu, pois todos o esperavam. 41 Então um homem chamado Jairo, dirigente da sinagoga, veio e prostrou-se aos pés de Jesus, implorando-lhe que fosse à sua casa 42 porque sua única filha, de cerca de doze anos, estava à morte. Estando Jesus a caminho, a multidão o comprimia.
49 Enquanto Jesus ainda estava falando, chegou alguém da casa de Jairo, o dirigente da sinagoga, e disse: "Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre". 50 Ouvindo isso, Jesus disse a Jairo: "Não tenha medo; tão somente creia, e ela será curada". 51 Quando chegou à casa de Jairo, não deixou ninguém entrar com ele, exceto Pedro, João, Tiago e o pai e a mãe da criança. 52 Enquanto isso, todo o povo estava se lamentando e chorando por ela. "Não chorem", disse Jesus. "Ela não está morta, mas dorme". 53 Todos começaram a rir dele, pois sabiam que ela estava morta. 54 Mas ele a tomou pela mão e disse: "Menina, levante-se! " 55 O espírito dela voltou, e ela se levantou imediatamente. Então Jesus lhes ordenou que lhe dessem de comer. 56 Os pais dela ficaram maravilhados, mas ele lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinha acontecido.

Considerações Iniciais

- Esse texto fala da ressurreição da filha de Jairo.
- Jairo era um ancião de Israel. Um homem mais velho, mas tinha essa nomenclatura por causa da experiência com o povo e com as Escrituras.
- Essa aproximação de Jairo junto a Jesus demonstra que muitos integrantes dos grupos religiosos da época acreditavam que era o Cristo, o Messias esperado.

Algumas lições importantes

1 – Jesus, no caminho à casa de Jairo, cura uma mulher. Jairo se irrita...
Nunca menospreze a dor do outro. (v.49)
A sociedade reage hoje com muita revolta às barbáries que são cometidas e noticiadas todos os dias (fora as que não chegam ao conhecimento da mídia) e por sua vez, vem reagindo à sua maneira. Exemplo: Boa parte da sociedade leva em sua filosofia de vida a frase: “Bandido bom é bandido morto”. Ficamos aliviados quando alguns desses marginais são mortos. “Menos um” – até dizemos. Mas quando você aprofunda o olhar, você percebe que por trás desse elemento, há uma família, que nem em seus piores sonhos, tinha pensado na possibilidade ter alguém vivendo essa realidade. Eles não nasceram e nem foram criados para isso. O que eu quero dizer com isso?
a)      Sua dor não é maior ou menor do que a de ninguém.
b)      Ajudar a curar a dor do outro nos permite ser curados.

2 – A fé é fundamental (v.50).
Sem fé não há cura. Não há restauração, não há ressurreição.
Fé não é só dizer. É fazer. Realizar, praticar faz toda a diferença.
Confiar e entender que Deus está no controle da situação são fundamentais para a ação de Deus.

3 – Sua esperança confunde os que estão ao redor. (v. 52-53)
É inacreditável mas, sim, eles riram de Jesus.
E se riram de Jesus, rirão de nós. Duvidarão da sua esperança.
Antídoto pra isso? Não se abale. Confie. (Sl 125.1)

4 – Seja grato (v.56)
Jesus não veio para se exibir. Ele queria fazer a diferença naquela família, de preferência de forma discreta. Mas era impossível tamanho o impacto do ministério, da palavra, da pessoa de Cristo.
Importante ajudarmos quem está na espera da bênção da parte do Senhor. É fundamental que se busque junto e não se envaideça por ter recebido a tão esperada bênção.
Lute com o seu irmão que ainda não recebeu a resposta de Deus.

Graça e paz!

domingo, 15 de julho de 2018

Levo Cristo comigo onde eu estiver

Gálatas 2.20
 Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

Caminhando pelo capítulo inteiro onde está inserido esse verso, podemos perceber o Apóstolo Paulo numa dificuldade enorme em lidar com “falsos irmãos” (sim, já existia isso nesse tempo), que mesmo após o sacrifício de Cristo na cruz, ainda obrigavam alguns iniciantes na fé a se circuncidarem, anulando completamente a paixão do Mestre no Gólgota. Diminuindo o derramar do sangue do nosso Salvador (3-5).

Paulo ainda comunica, que os influentes da igreja da Galácia, reconheciam seu apostolado e sua vocação para a pregação do Evangelho Não havia incoerências no discurso de Paulo com o que Jesus tinha deixado de ensinamento em seu ministério terreno. (7-8)

No verso nove, Paulo fala sobre a comunhão existente entr5e ele, apóstolo dos gentios com os primeiros líderes da igreja – Pedro, Tiago e João. Com um aperto de mão, fica combinado que ele ficaria com o povo, o qual já trabalhava (gentios) e os apóstolos de Jesus estariam trabalhando com os judeus que haviam se convertido a fé cristã.

Nos versos de 11 a 14, o apóstolo dos gentios, fala do embate que teve com Pedro, pois tinha adotado uma postura no mínimo estranha com aqueles os quais Paulo discipulava. O antes pescador, comia e bebia com os gentios, estava em comunhão com todos. Mas ao perceber e ter a certeza da presença de seus irmãos da igreja dos judeus, Pedro se afastava deles. Pedro não participava da comunhão. Ele tinha receio da reação de Tiago e de outros líderes.

Em cima de todo esse contexto, precisamos pensar sobre o tema. Tema esse, muito bem escolhido pela Convenção Batista Fluminense para o trabalho de Missões Estaduais nesse ano de 2018. O que esse momento da história da igreja e outros podem nos ajudar a entender a necessidade de levar Cristo onde estivermos.

Levo Cristo com autoridade
Paulo, ao repreender Pedro, demonstra autoridade de um verdadeiro apóstolo. Como se estivesse recebido pessoalmente do próprio Jesus, descrito por Mateus no seu evangelho, no capítulo 10. Mas precisamos estar atentos a alguns detalhes:
ü  Autoridade é conquistada e não imposta.
ü  Autoridade se conquista com ensino. (Mt 7.28-29)
ü  Autoridade não é grosseria, nem falta de educação ou de respeito.
ü  Podemos ter autoridade em amor. As pessoas verão isso em nós.

Levo Cristo com misericórdia (Mt 14.14-16)
O momento é de tristeza. Jesus é avisado da morte do seu primo e precursor João Batista. Morto por vingança, por denunciar o pecado contra o governo da época. Alguns discípulos de Jesus, antes eram liderados por João, por isso também era necessário o Mestre consolar e confortar os seus diante daqueles acontecimentos.

Jesus queria se retirar para reflexão e descanso com os seus discípulos. Alguns vinham do impacto feito, relatado no capítulo 10 de Mateus. Queria, porque não foi o que aconteceu. O texto diz que o Mestre moveu-se de íntima compaixão, de misericórdia, porque o povo que o tinha acompanhado, e que ele tinha dispensado, não “arredou o pé”. O povo não foi embora. Os discípulos até sugeriram isso, mas Jesus foi enfático: “Dai-lhe vós de comer!”.

Devemos levar Cristo onde estivermos porque tem muita gente morrendo sem ele. Sem ao menos experimentá-lo em sua vida. As tragédias e catástrofes e violências cada dia mais recorrente em nossos dias precisam ser alvos da nossa misericórdia. Alimentar uma multidão com fome de Jesus é nossa responsabilidade. É a nossa missão.

Levo Cristo nas oportunidades. (1 Co 10.31)
A glória a Deus deve ser nosso objetivo principal. E quando eu faço as oportunidades valerem a pena, em nome de Cristo, glorifico o nome de Deus e levo Jesus onde estou passando. Quando ajo com correção, com honestidade, com amor, primando pelo certo, objetivando a glória do Senhor, estou levando Cristo a todos e em todos os lugares. Quando sou educado, gentil, formal, paciente e atencioso com todos, mesmo aqueles que testam nossa paciência e nossa santidade. Quando exerço minhas atividades com excelência, seja lá qual for minha atividade e ela sendo honesta, estou levando o Senhor a todos.
Conclusão
É a nossa missão. Cristo nos deixou um legado, ensinamentos mil. Os quais precisamos nos agarrar e impactar essa sociedade cada vez mais doente. Por onde você andar, leve Cristo consigo. Por onde você for leve o nome de Jesus. Graça e paz!

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cuide do seu coração


Provérbios 4.23
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.

Algumas informações importantes:
- Coração na Bíblia: sede dos sentimentos e impulsos do homem. Dependendo da tradução, pode ser citado mais ou menos 900 vezes nas Escrituras.
- Coração na ciência: Órgão responsável por receber e enviar sangue de e para todo o corpo. Seus batimentos estão entre 109 e 111 mil por dia, bombeando mais ou menos 5 litros de sangue.
No sentido original do texto: mente, vontade, inteligência, lugar das emoções.
É interessante notar também que no texto há a preocupação do “pai-professor” com seu “filho-aluno”.

Por que cuidar do coração?

Porque dele depende a sua vida. (v.23)
Assim como no corpo humano, quando suas emoções morrem, você também falece. Alguns dizem que o homem (ou a mulher) morre quando deixa de sonhar, de viver suas emoções. Aliás, apesar de parecer um termo pejorativo, ou pelo menos figurado, “morrer de desgosto” tem sido cada vez comum. A ferida no “coração”, na alma, nas emoções tem levado muita gente a óbito mesmo.
As pessoas tem se entregado muito facilmente. Em segundos, alguns já viram amigos, parceiros, o “amor da vida”. Em adolescentes é cada vez mais normal. Dois amigos que estão sempre juntos, sentam juntos, fazem atividades juntos, até saem juntos, curtem a mesma coisa. Ao mudarem de escola, acaba a amizade, a afinidade, ficam só as lembranças. A paixão vem cada vez mais rápida e avassaladora. Tem sido constante e muito perigoso esse comportamento. E assim como se entrega muito rápido, as feridas também aparecem cada vez mais depressa.
Assim como na ciência quando nos alimentamos mal prejudicamos o coração, trazendo para o espiritual, quando alimentamos nossa alma com besteira, nossas emoções também serão atacadas e abaladas. Jesus não blefou quando disse que nem só de pão se alimentava o homem, mas também de toda a palavra que sai da boca de Deus. (Mt 4) Jesus fazia referência a nossa saúde espiritual, emocional. Quanto mais tragédia engolimos, mais frios e insensíveis ficamos. Precisamos cuidar do que nos “alimentamos” na alma. Precisamos cuidar mais do nosso coração. Dele depende nossa vida.

Porque o externo expõe o interno. (V. 24-27 / Mt 12.33-35)
Na continuação do texto de Salomão, ele fala sobre aquele que guarda o coração. Como é a vida dessa pessoa...No paralelo com Jesus, o Mestre confronta os fariseus (como sempre) que o condenavam por estar curando no sábado e pelos discípulos terem comido o pão destinado à cerimônia feita pelo sacerdote. Os fariseus, por sua vez, não aliviaram e diziam que Cristo era o autêntico representante de Satanás. E aí Ele responde, pra variar, com muita sabedoria que “a boca fala do que o coração está cheio.” O externo nosso expõe o que vai dentro de nós. Se nosso coração está sujo, poluído, sairá para as pessoas do mesmo jeito. Não há como sair da mesma fonte água doce e amarga – palavras de Jesus.

Porque valorizamos tudo em que colocamos o coração. (Mt 6.21)
No texto fala-se de tesouro (armazém, depósito, cofre), coisas preciosas. O que Jesus quer dizer é para buscarmos o mais importante: a sua justiça. Você já deve ter percebido que sempre que colocamos o nosso coração em algo, mergulhamos naquilo e só saímos se não tiver mais jeito ou quando terminamos. Parece que nada mais importa. Relacionamentos, trabalho, curso, prova, enfim, todos os olhos e emoções são voltados para aquela situação. Um casal apaixonado só tem olhos para aquela paixão devastadora, para outros é o filho, é a carreira...

Conclusão
O Senhor nos orienta a preservarmos o coração. Ele é enganoso (Jr 17.9). Ouvir as emoções sempre não é uma atitude sensata. O apóstolo fala em culto racional. Ou seja, usarmos sempre e mais a razão. Não desprezem a razão, não confie nas intuições emocionais. Ore sempre a Deus e peça a Ele que sempre esteja cuidando do seu coração. Graça e Paz!

terça-feira, 10 de julho de 2018

"Eis o noivo!"

Mateus 25:1-13 (NVI(Br))
1 "O Reino dos céus, pois, será semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. 2 Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. 3 As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo consigo. 4 As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas juntamente com suas candeias. 5 O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram. 6 "À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo! ’ 7 "Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias. 8 As insensatas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando’. 9 "Elas responderam: ‘Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês’. 10 "E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. 11 "Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós! ’ 12 "Mas ele respondeu: ‘A verdade é que não as conheço! ’ 13 Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora”!"

Algumas considerações sobre esse texto.
1 – A parábola das dez virgens só é escrita por Mateus. Não há registro desse episódio nos outros evangelhos.
2 – Jesus faz referência ao casamento hebreu, que é diferente do casamento ocidental. No casamento hebreu, a época de Jesus, a noiva esperava o noivo na casa dos seus pais. Quando o noivo se aproximava, era anunciado e a moça saía à noite com a sua lamparina, movida a azeite, para encontrar-se com seu prometido. Por isso os casamentos hebreus sempre se realizavam nesse horário.
3 – Com a demora do noivo, sempre era bom a prometida esperá-lo com a já citada lamparina e também com um vaso de azeite para que sustentasse o fogo durante o tempo que fosse necessário.

Jesus faz essa analogia perto de sua morte, porém faz referência a sua segunda vinda. Como seria o seu retorno para estabelecer o seu reino definitivo. Ele faz menção de 10 virgens, que aguardam o noivo para as bodas. Porém ele faz uma ressalva: Cinco eram prudentes e cinco néscias (loucas). Cinco preparadas e outras cinco despreparadas. Essas “virgens” as quais o Mestre faz menção simboliza a humanidade, o povo. Se quer uma forma mais restrita de interpretação, a igreja. Onde todas estão esperando o noivo, entretanto, nem todas irão usufruir da presença do noivo. Que lições nós podemos tirar desse texto? Alguns ensinamentos importantes:

1 – Preciso estar preparado.
Jesus chama as virgens preparadas de prudentes. Ser prudente é estar de prontidão. É estar atenta a toda e qualquer circunstância. É ter “azeite” na reserva. É não perder o foco do momento mais importante: a vinda do noivo. Enquanto o prometido não chega, bate o cansaço, pode até vir o sono, mas nunca perder a fé para não ser pego desprevenido pela volta do Senhor. Podemos até nos surpreender com o que acontece a nossa volta, todavia, sempre ligado, focado no principal: A chegada do noivo!

2 – A volta de Jesus não pode ser medida pelo nosso tempo, mas pelo nosso “nível” de santificação. (Hb 12.14)
14 Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.
Nesse tempo que vivemos, percebemos muitos querendo retardar a volta do “noivo” por causa dos seus projetos pessoais. Querem casar, ter filhos, netos, bisnetos, realização financeira, profissional, sentimental, enfim, todos os seus desejos e sonhos atendidos antes da volta de Cristo. O autor do livro de Hebreus ressalta que sem santidade, ninguém verá o Senhor. Podemos então entender que na parábola, as loucas não viram o noivo porque se preocuparam com outras coisas (ou não) e não deram a devida atenção ao “pouco azeite” na sua lamparina. Olhando para a igreja primitiva, descrita no livro de Atos dos Apóstolos, percebemos que era um povo que aguardava Cristo para aquele tempo, para aquela época. Quando lemos a primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses, no capítulo 5, vemos que a preocupação do apóstolo era que o povo não dormisse, não se perdesse nos seus desejos e concupiscências e se voltasse exclusivamente para a volta de Cristo. O fato é que temos a sensação que a igreja brasileira poderia avançar ainda muito mais do que avançou se olhássemos para a volta do Mestre. Se vivêssemos todos os dias como se Cristo voltasse ainda hoje mesmo.

3 – Não podemos rejeitar o Espírito Santo.
As mulheres tolas não tinham azeite suficiente em suas lamparinas. O azeite descrito por Jesus é o Espírito Santo. Cristo deixa claro que tolos são os que não agem com espiritualidade. Vivem na carne em todas as áreas da sua vida. É não viver em Deus. É achar que somente levantar a mão num momento de apelo ou apenas “bater cartão” nos cultos da igreja para passar a impressão de fé e de amor a Jesus. Não crescem no Espírito. Não se estabelecem em igreja alguma. São sempre problemáticos e nunca estão preparados. Sempre são pegos de surpresa.

Conclusão
Cristo está voltando. Já se ouve a voz dizendo: “Eis o noivo!” Prepare-se. A hora está chegando... Vigie. O noivo está às portas. Não seja pego de surpresa sem azeite em sua lamparina. Graça e Paz!

domingo, 8 de julho de 2018

Tempo a sós com Deus

Mt 6:5-8 (JFA-RC(Pt))
5 E, quando orares, não sejas como os hipócritas: pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 6 Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai que vê secretamente, te recompensará. 7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não vos assemelheis pois a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.

Jesus está no seu clássico “Sermão do Monte”. Alguns estudiosos dizem que tudo que tem relação com a fé cristã, o Mestre deixou claro nesses capítulos de 5 a 7 do Evangelho de Mateus. Nesse trecho do capítulo, Cristo fala da oração. Mas precisamente uma comparação entre os fariseus e como deveríamos fazer.

Em resumo: Fariseus eram homens conhecedores da Lei, mas estavam longe de praticá-la. E com o aparecimento do Messias, a intenção deles era matar, acabar com a vida de Jesus. Cristo fazia estragos no ensino desses homens e era admirado pela sua autoridade (Mt 7.28-29)

No verso 5, Yeshua os chama de hipócritas porque eles faziam questão de que todos os vissem orando, repetiam suas orações, gritavam nas esquinas. Ele nos ensina sobre o Tempo a sós com Deus. A verdade era que se eles gostavam de ser notados pelas suas orações em público, já tinham recebido suas “recompensas”. Todos os já tinham visto e notado.

O Mestre faz questão de quebrar isso e mostrar que o momento do homem ou da mulher a sós com Deus em seu quarto, tem um olhar especial do Pai. Deus estaria ouvindo a oração e recompensando o aflito. Mas aí surge a dúvida: Deus não ouve outras orações feitas fora desse ambiente? Claro que sim. Mas o Filho nos ensina que ao separarmos um momento a sós com o Senhor, é uma valorização de nossa parte, àquele momento muito especial. É a hora da entrega, do quebrantamento, da lágrima que ninguém vê mas o Pai contempla.

Cristo ensina que ao fecharmos o quarto e nos abrirmos pra Deus, é sinal de que aqueles minutos ali são os mais importantes de nossa vida. Valorizamos a majestade e soberania de Deus, entregando a Ele, e somente a Ele, todas as nossas aflições e angústias.

O Salvador alerta também o perigo de acharmos que “convencemos” Deus através das repetições sem sentido ou que vamos comover o coração de Deus com a insistência no pedido feito aos pés dEle. Isso era prática dos fariseus, dos hipócritas que mostravam uma pseudo comunhão com Jeová.

A prova disso é a frase final desse trecho: “porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.” O Senhor sabe exatamente o que precisamos, o que necessitamos e o que é puro capricho. Ele quer de nós equilíbrio nas prioridades e valorização do momento a sós com Ele.  Ele quer prioridade e exclusividade ao falar com Ele. Quer de nós paixão por esse momento aos seus pés. Valorizemos sempre e sempre um tempo a sós com o Senhor. Graça e Paz!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Os limites do ministério


Atos 20:24

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.


Infelizmente, tudo nessa terra tem um fim. Em breve estaremos com Cristo em outra cidade, a Nova Jerusalém. Mas não estaremos mais nessa em que vivemos. Ou seja, tudo aqui tem começo, meio e fim. Assim é a vida nessa dimensão. O ministério não foge à regra. Por sermos seres limitados por tempo, espaço, circunstâncias, também remete ao ministério, à liderança dentro de nossas igrejas. Precisamos conhecer e entender os limites de ação e de permanência em determinado lugar ou liderança.

Poucos dias atrás, o mundo do futebol tomou um susto. O técnico do Real Madrid, Zinedine Zidane, que comandou o clube nos últimos três anos, ganhando todas as edições da Liga dos Campeões – maior torneio de clube do mundo – pediu demissão. Após ganhar a tão sonhada taça do campeonato de clubes mais difícil do mundo, ele se retira, argumentando que não conseguiria inovar no seu trabalho. Que já não tinha tanta presença na vida e na cabeça dos seus liderados. Que pressentia que não conseguiria colocar sua filosofia na mente de seus comandados. Apesar da situação inusitada e inesperada, foi muito elogiado por sua atitude, “saindo por cima”. Valorizado e com o sentimento de dever cumprido.

Óbvio que, quando se fala de ministério, liderança, no ambiente eclesiástico, existe o fator irrevogável: vontade de Deus. Ele que coloca, que tira, que muda, transfere, que sustenta, que trata. Não há como brigar com a vontade de Deus. Aliás, alguns pregadores, erroneamente cita o texto de Jacó lutando com o anjo, de que devemos sempre “lutar com Deus” para conseguirmos algo. Só é necessária a lembrança de que esse mesmo Jacó saiu ferido e nunca mais esteve em suas perfeitas condições. Lutar com Deus não é um bom negócio.

Humanamente falando precisamos perceber quando temos sinais claros de que nosso ministério/liderança está chegando ao limite. É bom sempre estar atento a esses detalhes para que não se estrague relacionamentos e amizades no percurso construído. Ou então, para que evitemos uma “luta com Deus” onde o Eterno libere essas circunstâncias para nos preservar de futuros desgastes.

1 – Não trabalho mais minha inteligência emocional.
Segundo a SBie (Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional), Inteligência Emocional é a capacidade de um indivíduo administrar as próprias emoções e usá-las em seu favor, além de compreender as emoções das outras pessoas, construindo relações saudáveis e fazendo escolhas conscientes. Quem tem Inteligência Emocional sabe pensar, sentir e agir de forma inteligente e consciente, sem deixar que as emoções controlem sua vida e se acumulem de forma a reproduzir ou criar traumas. Baseando-se nesse conceito, quando eu não consigo ter mais controle sobre minhas emoções no ambiente do ministério e liderança. Tudo é motivo para irritação, grosseria, sem o mínimo de cuidado com as pessoas ao seu redor. Não há compreensão ou entendimento, sempre bastante emocional e realizando ou dizendo coisas sem ponderar, sem sensibilidade e indiferente aos traumas causados em outrem. Trazendo cansaço, ansiedade, transtornos graves para o ministro/líder e para os seus pares.

2 – Perdi o interesse pelo principal.
No caso da igreja, temos dois focos principais. A exaltação ao nome de Deus e a edificação do Corpo de Cristo (igreja). Quando não temos interesse em nenhum desses motivos, precisamos repensar nossa situação em determinada liderança que estivermos. Os relatos de liderados sobre o “desvio de foco” do líder durante a caminhada se faz concluir que se perdeu a direção, perdeu-se a visão de Deus que foi outorgada, aliado a boas doses de arrogância e vaidade em obedecer à voz do Pai e seus desígnios. Quando saio da trajetória traçada por Deus para minha vida, evidentemente, estarei seguindo meus próprios interesses e desejos. Matar a vontade própria é um desafio daqueles que Cristo nos propõe no seu ministério, colocando em confronto até nossa condição de ser seu discípulo “Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33). Renunciar seus objetivos pessoais pelos de Cristo é uma das maiores provas que podemos dar da nossa condição de discípulo, de servo.

3 – Componentes básicos do relacionamento interpessoal são quebrados.
Durante boa parte da caminhada, sentimentos são construídos e estabelecidos entre liderança e liderados. Entre ministros e ministrados. Admiração, respeito, consideração, reconhecimento da autoridade, alegria pela presença, paz, carinho, cuidado, paciência, longanimidade, mansidão, domínio próprio, enfim. Tem muito mais características, mas talvez sejam essas as principais. Quando a liderança está com os sintomas acima, ela começa a se perder e esses ingredientes importantes para o bom relacionamento são paulatinamente destruídos. Lembrando sempre que a ausência é recíproca. De parte a parte, não se tem mais prazer de um estar com o outro. Tudo leva a briga, discussão, choro, irritação. Desses todos citados acima, o respeito é o mais grave. Dentro dele está a consideração que também é uma lacuna, uma ferida que vai se abrindo cada dia mais. Quando não há mais consideração, é porque chegou o tempo de mudar a liderança. Não há mais preocupação com o outro, em dar satisfação, em fazer tudo pelo bem do outro. Quando as atitudes são mais motivos de criticas, até de indiferenças. “Tanto faz” vira a atitude mais recorrente sem nenhuma cerimônia ou cuidado em magoar o outro. Aliás, difícil alguém se preocupar com tanta indiferença. Não se obtém mais respostas sobre nada. O grupo responde com silencio. As pessoas preferem se afastar a ajudar a erguer. São sintomas cabais de o fim chegou e que precisamos de “novos ares”, novos caminhos, que precisamos estar mais atentos àquilo que Deus quer de mim e do meu trabalho.

Conclusão
Entender que o ministério chegou ao limite não pode ser encarado com vergonha ou medo. Pode se tirar grandes ensinamentos. Por exemplo, maior sensibilidade ao perceber os sintomas de desgaste de uma liderança ou ministério. Esses mesmos fatores citados podem ser observados para que o líder não deixe chegar a esse nível. É uma decisão também bastante importante. Lembrando que isso pode acontecer mesmo com o ministério ‘bombando’, somente acontece em escala menor, as coisas se tornaram mecânicas e já não tem muita profundidade. Que possamos ouvir a voz de Deus com toda a sensibilidade do mundo. E que tenhamos 1 Coríntios 10.31 sempre “em mãos”. Que até o nosso afastamento da liderança/ministério seja para a glória de Deus.
Graça e Paz!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O milagre é uma questão de atitude


Lc 8:43-48 (NVI(Br))
43 E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de uma hemorragia e gastara tudo o que tinha com os médicos; mas ninguém pudera curá-la. 44 Ela chegou por trás dele, tocou na borda de seu manto, e imediatamente cessou sua hemorragia. 45 "Quem tocou em mim? ", perguntou Jesus. Como todos negassem, Pedro disse: "Mestre, a multidão se aglomera e te comprime". 46 Mas Jesus disse: "Alguém tocou em mim; eu sei que de mim saiu poder". 47 Então a mulher, vendo que não conseguiria passar despercebida, veio tremendo e prostrou-se aos seus pés. Na presença de todo o povo contou por que tinha tocado nele e como fora instantaneamente curada. 48 Então ele lhe disse: "Filha, a sua fé a curou! Vá em paz".

O texto é sobre a mulher do fluxo de sangue. Doze anos vivendo essa enfermidade. Toda uma história vítima da religiosidade da época, da ignorância de alguns que manipulavam a lei, mas ela tomou uma decisão: mudar a sua história a partir da presença de Jesus onde ela estava.

A aparição dessa mulher (que não sabemos o nome) se dá no meio do caminho quando Cristo estava a caminho da casa de Jairo, chefe da sinagoga, que clamava ao Mestre pela sua filha de 12 anos que estava muito doente. Era a chance dela. Apesar da dor e da angústia do outro.

A multidão aperta Jesus. Todos queriam ver o que chamavam de Messias. Pelos milagres que operava e pela autoridade pela qual ensinava. Enfim, os judeus viam o prometido, a profecia se cumprindo. Aquele que viria ao mundo para dividir a história. E essa mulher vê a oportunidade diante dos seus olhos. Importante ressaltar que ela tinha gasto tudo pela cura e não tinha alcançado a graça de ser limpa. Em cima disso, podemos aprender algumas coisas com ela.

1 – O milagre começa na atitude (v.44)
Quando ela decide se aproximar de Cristo, tocar em Jesus, mesmo que não estivesse se dirigido a ela. Ela se programa para no momento certo (segundo ela) tocar no Mestre, pensando que Ele talvez não percebesse. Ela o toca na orla. A orla era na realidade uma borla que os rabis usavam em suas vestes. O manto era um pedaço grande e quadrado de lã pesada, drapejado sobre as costas da pessoa de tal maneira que a borla de um dos cantos caía entre os seus ombros. No meio da multidão a mulher aproximou-se de Jesus pelas costas e tocou a borla (Moody).

2 – O toque é diferente. (v. 45-46)
A multidão aperta Jesus e ele pergunta “quem me tocou?”. Uma pergunta tola vista pelos seus discípulos ali a sua volta. Mas o momento foi muito mais profundo. Saiu poder de Jesus, porque o toque foi diferente. Foi um toque em meio a multidão, chegou por trás dele, como se não pudesse ser vista ou sentida e encosta nele. O toque é diferente. Sai poder de Jesus. O toque é de alguém que está ardendo em fé, em ousadia, que toma uma atitude para mudar a sua vida. Era a sua única oportunidade. Para alcançarmos o milagre, precisamos fazer algo que não fazemos. É necessário agir como nunca agimos. Uma noite inteira de oração, uma oferta que nunca demos, um tempo a sós com Deus que nunca tivemos. Um evangelismo que nunca fizemos. Um discipulado que nunca realizamos. Enfim, a fé precisa ser concreta, precisa de atitudes diferentes.

3 – Não tenha medo da reação de Jesus (v. 47-48)
Depois que Jesus expõe o poder que saiu de si, a mulher se apresenta como aquela que o tinha tocado. Com medo, tremendo, mas curada. Talvez ela tenha pensado que Jesus ia brigar com ela pelo fato dela não ter pedido pra ser curada. Ou que Jesus jamais poderia tocá-la “sem que ele soubesse”, já que o toque foi por detrás dEle. Mas Jesus trás em sua resposta alívio e confiança renovada para que ela recomeçasse sua vida. Em muitas vezes não tocamos nas vestes de Jesus, não fazemos algo diferente para Cristo porque pensamos que Jesus ficaria “chateado” com a nossa adoração extravagante, com a nossa postura de fé.

Conclusão – A palavra do Mestre para aquele momento. A fé dela tinha curado. A atitude de crer e tocar em Jesus, ou seja, dá ares concretos a sua crença, recebe o carinho e a confiança reforçada na caminhada. Deus jamais rejeitará atitudes fora dos padrões. Deus jamais dirá não a uma manifestação de fé. O milagre que você precisa pode estar na atitude que você ainda não tomou. Graça e Paz!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A responsabilidade é de todos!


Efésios 6.1-4
1 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.
2 "Honra teu pai e tua mãe", este é o primeiro mandamento com promessa:
3 "para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra".
4 Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.

A sociedade está cada vez mais individualista. Tudo concorre para que o ser humano seja único, porém solitário. Especial, porém sozinho. Soma-se o fato de que desde o Éden, o ser humano não tem nenhuma vergonha e não faz nenhuma cerimônia para colocar a culpa no outro, se isolando cada vez mais.

Por falar nisso, é cada vez comum, colocar a responsabilidade no outro. Sempre foi o outro, nunca fui eu, ou a minha incompetência, ou a minha displicência. Na família acontece de igual maneira. Sempre colocando a culpa sobre o outro, ou sobre fatores, ou sobre situações, ou em cima de sentimentos e pensamentos. Nos fatores externos e nas circunstâncias que não “temos como influenciar”.

No casamento, a esposa acusa o marido, que por sua vez, aponta em direção contrária. Na relação com os filhos é a mesma coisa. Os responsáveis direcionam sua reclamação para os filhos que por sua vez, reclamam dos pais mas só vivem no seu mundo limitado a um aparelho celular e um fone de ouvido e suas várias contas de redes sociais.

O apóstolo Paulo fala a igreja de Éfeso da responsabilidade de todos nesse processo bem sucedido da família naquela época e quanto mais nessa que vivemos, tamanho é o arsenal de Satanás para tirar nossas famílias do eixo, da linha traçada pela Palavra de Deus.

Paulo alerta os efésios sobre essa responsabilidade. No verso 1 ele chama a atenção a tremenda tarefa que os filhos tem: obedecer. No original tem o sentido de “alguém que vem a porta ver quem é depois de ser chamado” (strong). E que isso é justo – original: aceito por Deus -. Deus se agrada daqueles filhos que obedecem a seus pais, em algumas situações até contra a sua vontade, mas fazem para honrá-los. Fazem por respeito à autoridade.

Parece meio clichê, mas ninguém escolheu a família onde nasceu por isso precisamos aceitar a que Deus nos deu, mesmo com todos os defeitos e dificuldades que venham a aparecer. Importante nesse “processo”, os filhos honrar os seus pais com a obediência, o respeito e a consideração. Segundo o texto, honrar os pais nos dá vida longa nessa terra. Moody diz que podemos projetar a vida eterna se respeitamos e guardamos as instruções dos nossos pais. Salomão, em toda a sua sabedoria, diz que o castigo, a correção livra a alma do inferno (Pv 23.13-14). Engana-se quem pensa que a questão da terra, ficará só por aqui. O que fazemos aqui nos projeta para a eternidade.

No verso quatro, o apóstolo dos gentios enquadra pais que talvez ainda não se acharam em seus papéis. A sociedade patriarcal já se foi. A família hoje, cada vez mais tem voz e vez. Todos. Arrisco dizer que independente da idade. Crianças pequenas têm muito mais voz e vez em muitas famílias. Porém, no que tange a essa orientação, é interessante observar como tem pais que fazem questão de ter a inimizade dos filhos. Parece que quanto mais os irritam, mais satisfeitos ficam. É triste, porque família é lugar de aconchego, lugar de vida, de paz. Os nossos lares são verdadeiras (ou deveriam ser) casas de paz. O refúgio onde encontramos tranquilidade, afeto, comunhão, nesse mundo cada vez mais individualista e sem sentido coletivo.

Paulo não se esquece de ninguém nessa sua mensagem. Porque todos têm a sua responsabilidade. Todos têm um papel e uma tarefa importante dentro desse contexto de lar. Óbvio que há pessoas que tem feito sua parte e talvez se sintam sozinhas nessa. Para elas, é fundamental a insistência. Que se cumpra o que precisa ser feito, sem esperar a tal da reciprocidade tão buscada por aí e que tem feito tão mal para tantos. A verdade é que cada um tem algo a fazer. Cada um tem uma grande responsabilidade. Precisamos ter atenção à Palavra de Deus. Ela nos alerta para esses perigos iminentes. Deus abençoe sua família. Graça e paz!

sábado, 16 de junho de 2018


Atestado de Incompetência





Mas, muitos dos que tinham ouvido a mensagem creram, chegando o número dos homens que creram a perto de cinco mil. (Atos 4.4)

O ser humano na sua essência é muito competente. A inteligência da humanidade é algo assustador. A cada dia, a cada hora, a cada segundo, nasce algo novo. Nesse momento, que escrevo esse texto, está nascendo algo diferente na sociedade. Uma tecnologia nova, uma forma nova de emagrecer, de economizar, enfim, somos muito competentes.

Na outra ponta da corda tem a incompetência. Que pode ser tratada como preguiça de estudar uma melhor forma, uma falta de vontade de quem não quer mergulhar no profundo do saber, ou na melhora da sua própria vida e dos seus, ao redor. Há pessoas que preferem diminuir o resultado do próximo, só pelo fato de não conseguir os objetivos alcançados ou por conveniência, ou por conivência mesmo. O fato é que a minha incompetência pode aparecer de várias maneiras e de diferentes jeitos.

Em se tratando de vida eclesiástica, percebe-se ao longo do tempo, que muitas congregações preferiram reclamar a fazer, criticar em vez de influenciar, se omitir em vez de ajudar, colocando cada vez mais obstáculos, expondo assim, uma tremenda incompetência e ainda uma arrogância desmedida porque parece que só o que fazemos é o certo ou tem valor pra Deus, como se tivéssemos o pleno domínio daquilo que Deus aprova ou não. É claro que não rejeitamos sua palavra e nem seus modos de agir, mas limitar a sua aprovação aos nossos gostos pessoais é completamente arrogante e presunçoso.

O Texto de Atos acima foi retirado do momento em que Pedro está pregando o Evangelho e é coagido pelos fariseus e saduceus para que não falasse mais “daquele” Cristo porque os perturbava. Interessante que a Palavra de Deus impacta a todos “para o bem e para o mal”. Para o bem porque transforma o pecador de seu pior estado para a maravilhosa luz. Como alguns gostam de dizer, da lama até a mesa dos príncipes. “Para o mal” porque aquele que não dá lugar à Palavra é incomodado por ela, mas em vem de render-se, prefere o ataque, a afronta. Pedro permanece ministrando as Escrituras e, contando só homens como costume da época, creram perto de cinco mil almas.

Em cima dessa visão, podemos concluir que ao ministrar a Palavra do Senhor, as pessoas vão se aproximando, crendo e alcançando a salvação em Cristo Jesus. Uma igreja que prega a Escritura com graça, verdade, piedade e amor, tende a crescer pelo poder que há na Palavra ministrada. Não há a mínima possibilidade de uma igreja que esteja baseada em Atos 2.42-47, permanecer vazia, sem vida, com um coração gelado, completamente aliada ao pecado e sem nenhum cuidado com a sua comunidade a sua volta.

Dentro dessa realidade, é espantoso como olhamos para nossas congregações vazias, sem o fervor da comunhão, completamente perdidos em costumes e gostos pessoais como se fôssemos detentores da verdade do Evangelho, perfeitos, e na nossa vaidade, achamos que isso é fruto da “verdadeira igreja de Cristo”. Pedro prega a palavra com autoridade e as pessoas se convertem. Alguns pregam a Bíblia (pelo menos se espera isso) e não acontece nada, as pessoas vão saindo e a resposta é porque a Palavra afasta? E o pior: ao lado, numa igreja linda, com gente feliz, mesmo cheia de problemas, mas com o seu coração ardendo em servir, em estar junta, a resposta é: “Lá não se tem o Evangelho verdadeiro” ou “Deve ter alguma coisa errada”. Ledo engano. A Bíblia não é de particular interpretação (2 Pedro 1.20), Deus sabe que muitos interpretarão a Bíblia com um olhar diferente, talvez por isso tenhamos tantas denominações, tantas formas de olhar a Palavra e tirar dela o melhor. Mas Deus quer de nós fidelidade à Ela(palavra), àqueles que entrarão por nossas igrejas carentes e doentes e que sejamos canal de cura. O que mais importa pra Deus é o homem. Ele entregou Jesus, seu único Filho para salvar toda essa humanidade. Como Deus ama ver uma igreja cheia, uma congregação lotada de pessoas e ele só permite que se mantenha se formos fiéis a ele em tudo, nas orações, entregas, vida, tempo, santidade, comunhão, enfim, tudo!

Quando olhamos nossos templos vazios e criticamos os “cheios”- e que se mantém assim - , que não é somente um momento, ou apenas um movimento, mas sim, uma igreja saudável que cresce debaixo da orientação e aprovação do Espírito Santo, estamos dando nosso atestado de incompetência, onde preferimos criticar o que não fazemos do que tentar fazer algo diferente do que critico. É uma pena! O Reino de Deus poderia ser muito mais palpável do que é, poderíamos ter alcançando muito mais do que já conquistamos. Que Deus nos dê uma visão na qual possamos fazer mais e falar bem menos...Graça e paz!